MEP - Movimento Evangélico Progressista

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Experiência no Fórum Social Mundial


Descreverei sucintamente minhas impressões do Fórum Social Mundial 2009 - Pan Amazônia. Muitas palestras, eventos, apresentações, reflexões e todo tipo de manifestação cultural aconteciam ao mesmo tempo. Por isso, é uma descrição muito particular apenas do que presenciei, a vontade era de estar em vários lugares ao mesmo tempo.

A Cidade de Belém do Pará
Belém, a cidade das Mangueiras, foi a Sede do FSM 2009. A cultura local é muito rica e peculiar, além do povo muito hospitaleiro. Desde o Mercado Ver-o-peso, as Docas (porto), a gastronomia  maravilhosa (tucupi, tacaca, cupuaçu, açaí etc) até a música tudo é interessante. Enfim, como toda metrópole brasileira tem seus problemas, no entanto é uma cidade agradável.

O Fórum
“O Fórum Social Mundial (FSM) é um espaço aberto de encontro – plural, diversificado, não-governamental e não-partidário –, que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.” Para saber mais http://www.fsm2009amazonia.org.br/o-que-e-o-fsm
Desde a sua primeira edição que aconteceu em 2001, o FSM promove a articulação de várias organizações e pessoas em prol de novas propostas para a sociedade. Nesta edição de 2009 sua realização na Pan Amazônia reforçou o enfoque ecológico além do social.
O FSM 2009 foi realizado num contexto de crise mundial econômica, ambiental, energética e política, suscitando assim definição de Objetivos do FSM para o alcance de uma sociedade mais sustentável e justa.
A programação foi dividida segundo a temática dos seus objetivos que seriam basicamente: 1 - paz, justiça e ética; 2 - contra desigualdade social; 3 - acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade; 4 - democratização do conhecimento; 5 – dignidade e igualdade; 6 - direitos humanos; 7 - soberania dos povos; 8 - economia sustentável e solidária; 9 - democracia política; 10 - defesa da natureza; 11 – outros.

Dia 27
A abertura do Fórum se deu com uma marcha onde vários grupos foram representados como indígenas, sindicatos, GLS, Ong's Ambientalistas, partidos políticos, um pequeno grupo de evangélicos, entre outros. Havia também grupos manifestando opiniões e fazendo protestos.
Era um momento muito plural de expressão, com respeito mútuo dos participantes às manifestações alheias. O trajeto foi em partes o mesmo da famigerada festa Católica da cidade de Belém – o Círio de Nazaré. Houve momentos de descontração com a dança de grupos indígenas, música de carimbó (ritmo típico do Pará) e apresentações de grupos culturais étnicos.
Foi interessante observar a diversidade da marcha, pessoas com interesses tão diferentes ali juntas. Embora possa ter havido alguns incomodados em andar lado a lado com pessoas de opiniões e comportamentos adversos, percebi que para a grande parte, não era apenas um esforço de ser “politicamente correto” convivendo com as diferenças, mas uma atitude genuína de procurar compreender, ouvir e respeitar o outro, suas aflições e o que se poderia fazer para melhorar a vida de todos e não só a própria vida.

Dia 28
No primeiro dia de atividades foi realizado o “Dia da Pan Amazônia”, foram discutidos temas como mudanças climáticas, modelos energéticos e soberania alimentar. Foi difícil decidir a programação pois as palestras eram com especialistas e estudiosos dessas áreas. Por fim optei por priorizar meio ambiente e movimentos cristãos, apesar de ter interesse em outras áreas. No primeiro dia fui me familiarizando com o campus das universidades UFPA e da UFRA que tinham área de floresta preservada e ficam à margem do Rio Guamá.
Montagens como A Casa de Farinha e a Tenda de 50 anos da Revolução Cubana foram muito visitadas. Neste dia aconteceram inúmeros shows e manifestações culturais. Foi um dia especial para conhecer pessoas de todos os lugares do Brasil e também do exterior. Por toda parte havia também muitos grupos indígenas, mostrando sua cultura e pintando tatoos de jenipapo com desenhos tribais.
Destaque para a palestra do Greenpeace sobre desmatamento e mudanças climáticas, ao final foi distribuída aos participantes um mapa do desmatamento da Amazônia.
 
Campus da UFPA: Casa de Farinha, canoa em pleno campus e Rio Guamá visto do campus

Dia 29
Pela manhã, no sol quente de Belém a palestra de Frei Beto trouxe a temática de fé, amor e desigualdades sociais. Cita passagens bíblicas conhecidas observou que nos relatos bíblicos, os que possuem vida confortável perguntam a Jesus como alcançar a vida eterna. No entanto, a fala dos pobres é uma petição à Jesus de cura, de milagres e de pão. Ser humano é lutar pela plenitude da vida nesta vida, para que todos tenham o direito de viver e não sobreviver. O amor fecunda o universo com paz e igualdade.
À tarde participei das articulações do grupo Evangélicos pela Justiça[1], discutiu-se o papel do cristão enquanto cidadão, a participação nas políticas públicas. Houve enfoque para ir contra a apatia e conformismo de um mundo injusto.
Neste dia em outro canto da cidade estiveram os presidentes do Brasil, Paraguai, Venezuela, Equador e Bolívia. Estes discorreram sobre a crise financeira mundial, Amazônia, políticas públicas e desigualdades sociais.

Dia 30
ABUB e FALE [2]  fizeram articulações dos jovens cristãos no Conselho Nacional de Juventude.
Entre estas barracas do Acampamento da Juventude do FSM, conhecido e apresentado pela mídia como um lugar de consumo de entorpecentes e promiscuidade, estava acampado o grupo cristão de evangelismo Avalanche http://www.avalanchefsm.blogspot.com/, igrejas de Belém também fizeram parceria para distribuição de alimentação, apresentações e atividades diversas.
Ao cair da tarde fui com um grupo do FALE e da ABUB para o acampamento onde houve um momento de reflexão com o tema “Jovens pela Justiça”. Não houve nenhum incidente ou desconforto, pelo contrário, vários acampantes não-cristãos participaram conosco.

Dia 31
O culto ecumênico contou com a presença de pessoas de várias religiões. Foi um momento especial de celebração. O pessoal da ABUB e os músicos cristãos do acampamento tocaram  no louvor.
O evento do FALE [3] informava as condições drásticas da Grota Criminosa do Município de Marabá (PA) e convocava a manifestação para chamar a atenção da Vale do Rio Doce[4] para e o Saneamento Ambiental. O desenvolvimento da Amazônia, também surgiu durante a discussão. Há controversas sobre como e qual modelo de desenvolvimento para a Amazônia deve ser praticado. Se for seguido o modelos das demais regiões brasileiras o quadro será de devastação. Por outro lado os nortistas almejam o desenvolvimento local com sustentabilidade.

Dia 01
No último dia aconteceram as Assembléias Gerais, onde as organizações deliberaram e afirmaram compromissos.  Durante todo o fórum foram distribuídos inúmeros materiais de ONGs e movimentos. E embora houvesse falhas na organização, o evento como um todo é importante no contexto de mudanças e incertezas para a construção de novos paradigmas.


Cenas : Cartaz da economia solidária no FSM, “Abraço Grátis” no acampamento da juventude, cartaz com versículo Is. 35:8 no Acampamento da Juventude e  minha tatoo de jenipapo feita por um índio

Considerações



Eu e minhas primas paraenses. Lindas né?
Tive vários momentos de conversas com pessoas dos mais diversos movimentos sociais e ambientais. A impressão primeira era de que havia um certo romantismo. No entanto, com uma conversa mais profunda tornava-se perceptível o realismo, a organização, o plano de metas, e principalmente as ações que desencadeariam a conquista de objetivos. Isso tornaria as utopias possíveis. A esperança e ação desmoronam o ceticismo e arranca as raízes do conformismo.


Uma das coisas mais marcantes pra mim foi a rica troca de experiências. Havia uma miscigenação de cores, estilos e múltiplas identidades presentes no FSM. Conheci pessoas com belas histórias de vida e de luta. Na verdade, para os desfavorecidos na maioria das vezes vida e luta são sinônimos.
O desenvolvimento sustentável, um termo que vêm se consolidando a cada dia, não é a panacéia para todos os problemas da humanidade, mas abre um caminho para um mundo com melhores condições sócio-econômicas e ambientais.

O igarapé no quintal dos meus tios.


Como um dos idealizadores do FSM, Oded Grajew diz que o Fórum aponta caminhos e muda consciências, mas é preciso ação para o alcance dos objetivos.

Enfim, tenho muita história pra contar dessa viagem... de certa forma mudou muita coisa na minha visão de mundo... Espero que eu possa ter compartilhado o essencial.

Abraços

Leonara Almeida
Engenharia Ambiental e Urbana
Universidade Federal do ABC – Santo André – SP
ALUMI – “Campos Além do Campus”


[1]              WWW.evangelicospelajustica.blogsplot.com
[2]              ABUB – Aliança Bíblica Universitária www.abub.org.br
[3]              Rede de pessoas que oram e se manifestam contra a injustiça www.fale.org.br
[4]              A Vale atua no município de Marabá e Serra Pelada na extração de minérios há décadas.

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